De onde vem a dor?

31/03/2026
Dr. Carlos Marcelo de Barros

Quando a dor persiste por semanas, meses ou até anos, ela passa a ocupar não apenas o corpo, mas também o cotidiano, os pensamentos, as emoções. Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo: “Já tentei de tudo para aliviar, mas a dor não passa.”

E é aí que uma mudança na pergunta faz toda a diferença: em vez de focar apenas em como aliviar, o mais importante é perguntar de onde essa dor vem?

A dor crônica não é uma doença única. É um sintoma com múltiplas causas possíveis. E cada origem exige um tratamento diferente, personalizado e estratégico. Buscar a causa é o que define o sucesso do cuidado.

Algumas dores têm origem degenerativa, como acontece em casos de artrose e artrite. O desgaste das articulações gera dor constante, inflamação e limitação de movimento. Já outros quadros têm relação com lesões antigas, que mesmo após a cicatrização, deixam o sistema nervoso em alerta contínuo, como uma memória dolorosa que o corpo não consegue apagar.

Há também a dor de origem neuropática, comum em pessoas com diabetes, esclerose múltipla ou após cirurgias e traumas. Essa dor costuma se manifestar como queimação, choques ou formigamentos, e tem origem nos nervos.

E existem ainda os casos de dor difusa, que afeta o corpo todo e não aparece em exames tradicionais, como a fibromialgia e outras condições inflamatórias e autoimunes. Nesse tipo de dor, o sistema nervoso entra em estado de hipersensibilidade, amplificando os sinais dolorosos, mesmo sem uma lesão ativa visível.

Por isso, não existe um único protocolo eficaz para todas as dores crônicas. O tratamento pode envolver desde medicamentos específicos e fisioterapia funcional até técnicas intervencionistas, como bloqueios, infiltrações e terapias complementares que atuam também no aspecto emocional e comportamental da dor.

Cada corpo é único. Cada dor, também.
E por isso, o cuidado precisa ser individualizado, respeitoso e profundo.


Escutar o paciente, observar os sinais, investigar com critério e construir um plano terapêutico sob medida é o que torna o tratamento eficaz e realmente transformador.

Se você convive com dor há tempo demais, talvez o primeiro passo seja mudar a pergunta.
Em vez de buscar só o alívio imediato, busque a compreensão real da causa.

Porque quando a origem da dor é entendida, o caminho para a melhora se torna mais claro. E o que antes parecia impossível, viver com mais leveza e qualidade, passa a ser, de fato, uma possibilidade concreta.

⚕ Dr. Carlos Marcelo de Barros - CRM/MG 39.448
Anestesiologia RQE 16.085 / Área de atuação em Dor RQE 42.108 / Medicina Paliativa RQE 47.014
(35) 3299-6414 / (35) 3299-6415


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